Uma perna santa, minha gente. Vê se pode!

Se agosto é de Deus, junho é de todos os santos. Há prece para todas as súplicas! Rogamos pelo pão nosso de cada dia, pela tão preciosa saúde e também pelos eternos amores, tantos os possíveis como os impossíveis. 

O famoso trio Antônio, João e Pedro santificam o mês e trazem cores, sabores e ritmos para esse ciclo junino, envolvendo o sagrado e o profano com fé e alegria.

O mais bonito dessa devoção é que elas nascem do povo. E, por falar na fé genuinamente popular, você já ouviu falar da Santa Perna? Isso mesmo, uma perna santa.


Os ditos populares contam que, há cerca de 200 anos, um homem pescava no Rio Jaguari, zona rural de São José dos Campos, quando, de repente, encontrou um objeto diferente que, logo identificou como uma perna mecânica. O pescador levou a perna para casa e mostrou à sua esposa, contando que havia encontrado nas águas do rio. 


A mulher achou interessante e resolveu guardar em cima do guarda-roupa. Os dias se passaram e um “milagre” começou a acontecer com a mulher. Ela, que tinha uma úlcera na perna, viu seus ferimentos serem cicatrizados, confirmando o milagre, pois na época, a esposa do pescador não tinha acesso ao tratamento para esse tipo de doença. 


O acontecimento foi associado à perna encontrada no rio e ali, nasceu a devoção à santa popular Santa Perna. Mantendo a tradição da religiosidade católica popular, foi criada uma capela próxima às margens do Rio Jaguari, para que os devotos pudessem registrar os milagres ou pedir uma graça. E, haja devotos à Santa Perna, viu? 

São inúmeros os cadernos com as graças alcançadas. O empoeirado do lugar marca o sacrifício dos devotos para irem até uma região rural para agradecer. As velas em formato de pés e pernas e até mesmo as próteses, também chamados de ex-votos, lotam a pequena capela localizada na Estrada Jaguari, nº 2.650. O ex-voto, para quem não sabe, é um presente – dos mais comuns aos mais inusitados- dado pelo fiel ao seu santo de devoção em consagração, renovação ou agradecimento de uma promessa. 


Podemos associar essa devoção como tantas outras às manifestações pelo Brasil afora nesse mês do junho, onde o povo se une numa linda quadrilha em celebração da fé. 

Iniciaremos o segundo semestre do ano. É válida mais uma dose de esperança para os meses que virão. Ainda dá tempo para se colocar os planos em práticas, viver os sonhos e rogar pelas nossas preces particulares.

Que a fé, seja ela no que for, nos ajude! 


E que tenhamos também, sensibilidade para aprender com as manifestações populares que, todos os dias, ensinam que essa fé é aquela mesma com o poder de mover montanhas.